
O Hospital da Baleia realizou um mutirão de cirurgias ginecológicas no último sábado, dia 24 de janeiro, beneficiando 12 mulheres diagnosticadas com endometriose profunda. Emenda parlamentar da deputada estadual Beatriz Cerqueira foi essencial para a ocorrência desses procedimentos.
A endometriose é uma doença que apresenta o extravasamento de células endometriais para órgãos no ventre das mulheres, causando dores fortes, disfunções, hemorragias e, consequentemente diminuição da qualidade de vida das pacientes. Com a multiplicidade de órgãos envolvidos, é essencial o trabalho conjunto das equipes de cirurgiões especialistas em ginecologia e proctologia, coordenados pelo Dr. Maurício Bechara Noviello e pelo Dr. Juliano Figueiredo.
O projeto de mutirões, que otimiza a realização das cirurgias com a complexidade que apresentam, teve início em 2025, período que mais de 100 mulheres foram operadas no Baleia. Sobre isso, Bechara, ginecologista especialista no tratamento de endometriose profunda, celebrou a continuidade do projeto.
“É uma alegria muito grande começar um ano com mais uma missão nossa de 2026 e, não parar o nosso projeto de assistência a todas as mulheres com endometriose infiltrativa. O ano passado foram 110 mulheres operadas pelo SUS e a missão nossa é continuar esse nosso projeto e, neste ano já iniciamos com 12 mulheres operadas com mais ou menos 30 cirurgiões, 5 salas cirúrgicas coordenadas por mim. É muito bom oferecer tratamento e melhorar a qualidade de vida de todas elas”.
Os esforços pela execução das cirurgias, feitos pela Fundação Benjamin Guimarães, instituidora do Hospital da Baleia, são mais uma demonstração da priorização dada à Saúde da Mulher, que engloba ginecologia e outras especialidades.
Bechara complementou que “acredito que somos hoje um dos maiores do Brasil em assistência, com quase 200 cirurgias por mês, com cerca de duas mil consultas mensais. E nós somos referência hoje no estado na saúde da mulher SUS”. A equipe coordenada por ele tem hoje 20 médicos ginecologistas.
A endometriose, principal causa de infertilidade feminina, é uma doença ginecológica que afeta mulheres a nível mundial. A gravidez tardia pode estar relacionada a esta condição que se desenvolve no endométrio, parte superior do útero podendo gerar pontos de inflamação causando dores intensas principalmente nos períodos de menstruação, originando assim uma exposição mais prolongada ao estrogênio, hormônio que está presente durante o ciclo menstrual e tem muitas funções no corpo feminino.
A Ana Paula Ramos Peixoto, de 27 anos, moradora de Congonhas foi uma das pacientes do mutirão. Ela relatou como pode ser a vida de uma mulher com endometriose, depositando a esperança nessa oportunidade de tratamento alcançada no Hospital da Baleia.
“Há seis anos descobri por meio de um diagnóstico que tinha endometriose, mas, passava mal desde os nove anos de idade, falava que era uma dor de barriga não tinha noção, era apenas uma criança. Desde então sofria com hemorragias, dores fortíssimas e até desmaios. E fui muito julgada nesse período, até que fui diagnosticada com focos no intestino, bexiga, rins e útero. Aqui no Baleia fui bem atendida, acolhida e todas as minhas dúvidas foram tiradas” concluiu.
Os procedimentos serão realizados com técnicas minimamente invasivas, ou seja, com melhor recuperação das pacientes. Para isso, são utilizadas pinças específicas para executar a cirurgia por videolaparoscopia. Além de melhor recuperação, aumenta as chances de manter a fertilidade. As cirurgias pelo Sistema Único de Saúde (SUS), não contemplam este tipo de equipamento, pelo alto custo, mas no Baleia isso tem sido contornado com captação de recursos.


