No dia 7 de maio é celebrado o Dia Internacional da Luta contra a Endometriose, uma data dedicada à conscientização sobre uma doença caracterizada pelo desenvolvimento de estroma e glândulas endometriais fora da cavidade uterina. Esse deslocamento do tecido, que normalmente reveste o interior do útero, pode desencadear um processo inflamatório crônico. Estima-se que a condição afete entre 5% e 15% das mulheres em idade reprodutiva, impactando diretamente sua saúde, bem-estar e qualidade de vida.
O Hospital da Baleia, referência em Minas Gerais, promove mutirões mensais de cirurgias de endometriose, ampliando o acesso ao tratamento pelo SUS e reduzindo o tempo de espera por procedimentos de maior complexidade. As ações são coordenadas pelos médicos Dr. Maurício Bechara Noviello e Dr. Juliano Figueiredo.

As causas da endometriose ainda não são completamente conhecidas, mas estudos apontam para uma combinação de fatores genéticos, hormonais e imunológicos. Entre as hipóteses mais aceitas está a menstruação retrógrada, quando o fluxo menstrual retorna pelas tubas uterinas em direção à cavidade abdominal. A doença pode atingir diferentes órgãos da região pélvica, provocando dores intensas, alterações intestinais e urinárias, além de possíveis dificuldades para engravidar, além de uma longa jornada até o diagnóstico correto.
No dia 2 de maio houve mais um mutirão no hospital, viabilizado com emenda parlamentar do Deputado Federal Aécio Neves. Entre as mulheres atendidas, Bárbara de Abreu Ferreira, moradora de Contagem (MG), relatou: “Descobri meu problema de endometriose em 2022 e, desde então, venho sofrendo com muitas dores e cólicas. Passei por vários médicos que diziam ser normal, mas eu sabia que havia algo errado. Após a ressonância, o diagnóstico foi confirmado e fui encaminhada pelo SUS ao Hospital da Baleia. Consegui a cirurgia mais rápido do que imaginava e hoje estou participando do mutirão muito feliz, porque sei que vou resolver minha dor.”
Os procedimentos são realizados com tecnologia minimamente invasiva e atuação integrada das equipes de ginecologia e coloproctologia, garantindo mais precisão e uma recuperação mais rápida. “Muitas dessas mulheres ainda estão na idade fértil e uma cirurgia deste porte poderia comprometer a possibilidade de gravidez. Por isso, a importância de fazermos por esse método de laparoscopia”, destaca o médico especialista em oncologia ginecológica, Dr. Maurício Bechara Noviello.
Já Viviane Teixeira, de 24 anos, moradora de Ouro Preto (MG), também enfrentou anos de sofrimento até o diagnóstico: “Há cerca de cinco anos eu sentia muitas dores e passei por diversos atendimentos, mas não descobriam o que era. Chegaram a dizer que era psicológico. Fui encaminhada ao Hospital da Baleia e consegui finalmente realizar a cirurgia. Foi um alívio depois de tanto tempo.” Iniciado em 2025, o projeto já possibilitou mais de 100 cirurgias de endometriose infiltrativa, reforçando o compromisso da instituição com um atendimento especializado e humanizado.
Os relatos de mulheres que têm sua dor silenciada ou questionada pelas pessoas à volta ainda são muitos, mas no Baleia a endometriose não é invisível. A saúde da mulher e o cuidado com cada uma das pacientes são bases sólidas na instituição


