Campanha de conscientização reforça a importância de conhecer os sintomas e procurar avaliação médica ampliando o acesso ao diagnóstico e tratamento do linfoma

O linfoma é um tipo de câncer que se origina nos linfócitos, células de defesa do organismo que fazem parte do sistema imunológico e circulam principalmente pelo sistema linfático, presente em estruturas como gânglios, baço e medula óssea. A doença é dividida em dois grandes grupos: o Linfoma de Hodgkin e os Linfomas Não Hodgkin, que reúnem diferentes subtipos, com características, comportamentos e tratamentos distintos.
Durante o Agosto Verde-Claro, campanha nacional de conscientização sobre o linfoma, o Hospital da Baleia reforça a importância da informação e da atenção aos sinais que podem indicar a necessidade de uma avaliação médica.
Atenção aos sinais
Um dos sinais mais comuns do linfoma é o aumento indolor dos linfonodos, popularmente conhecidos como “ínguas”. Eles podem aparecer principalmente no pescoço, nas axilas ou na virilha. Outros sintomas incluem febre, suor noturno, perda de peso não intencional, cansaço e coceira pelo corpo.
Segundo a médica hematologista do Hospital da Baleia, Lívia Passini, é importante observar a persistência das alterações. “Deve-se procurar avaliação médica quando o gânglio aumentado persiste por mais de duas a três semanas, continua crescendo, é endurecido, não dói ao toque ou vem acompanhado de sintomas como febre, suor noturno ou emagrecimento”, explica.
A presença de uma íngua, no entanto, não significa necessariamente que exista um linfoma. Gânglios aumentados são comuns em infecções e outras condições benignas. Por isso, a avaliação médica é fundamental para identificar a causa.
Diagnóstico
A investigação começa com a avaliação clínica. Quando há suspeita de linfoma, o diagnóstico é confirmado por meio de uma biópsia, procedimento que consiste na retirada cirúrgica do linfonodo ou de outro tecido acometido para análise pelo médico patologista.
Exames de imagem, como tomografia computadorizada e PET-CT, além de exames de sangue, também podem ser solicitados. Esses exames ajudam a identificar o subtipo do linfoma e avaliar a extensão da doença no organismo.
O diagnóstico em estágios iniciais pode contribuir para que o tratamento seja iniciado mais rapidamente e, em alguns casos, possibilitar abordagens menos intensas, com maiores chances de resposta e cura.
Tratamento individualizado
O tratamento depende do tipo e do estágio do linfoma e deve ser definido de forma individualizada pela equipe médica. Entre as possibilidades estão quimioterapia, imunoterapia, radioterapia, terapias-alvo e, em alguns casos, transplante de medula óssea.
Nos últimos anos, os avanços na área ampliaram as possibilidades terapêuticas. Anticorpos monoclonais e terapias celulares, por exemplo, passaram a fazer parte do arsenal utilizado contra determinados tipos de linfoma, contribuindo para resultados cada vez melhores em muitos casos.
Prevenção e informação
Não existe uma forma específica de prevenir o linfoma, já que, na maioria dos casos, não é possível identificar uma causa única para o desenvolvimento da doença. Alguns fatores estão associados a um risco maior, como determinadas infecções virais, doenças autoimunes, exposição a alguns produtos químicos e histórico familiar.
Manter hábitos de vida saudáveis e realizar acompanhamento médico quando necessário são medidas importantes para a saúde de forma geral.
Agosto Verde-Claro: conscientização que acolhe

O Agosto Verde-Claro é um período dedicado à conscientização sobre os linfomas e à disseminação de informações sobre seus sinais, diagnóstico e tratamento. A campanha também contribui para combater a desinformação e mostrar que existem diferentes tipos da doença, com opções terapêuticas cada vez mais avançadas.
Para a hematologista Lívia Passini, estar atento ao próprio corpo é importante, mas sem criar alarmismo. “Perceber uma íngua ou algum dos sintomas descritos não significa necessariamente ter um linfoma. Muitas dessas manifestações têm causas benignas e são bastante comuns. Mas, se um sintoma persistir, aumentar ou não tiver uma explicação clara, procure avaliação médica”, orienta.
A médica reforça ainda que buscar ajuda não deve ser motivo de medo. “O mais importante é não ignorar uma alteração persistente e não ter medo de buscar ajuda. O diagnóstico adequado é o primeiro passo para receber o tratamento correto.”
A mensagem do Agosto Verde-Claro é, portanto, de informação, atenção e cuidado. Ao perceber uma alteração persistente no organismo, procurar orientação profissional é uma atitude importante para esclarecer a causa e, quando necessário, iniciar o tratamento adequado o quanto antes.
Redação: Jamile Versiani


