Fotoproteção, exames de rotina e atenção às mudanças na pele facilitam o diagnóstico precoce e o tratamento

O câncer de pele é uma doença que pode se apresentar de diferentes formas e, muitas vezes, começar com alterações aparentemente discretas. Por isso, observar a própria pele e reconhecer sinais que fogem do habitual são atitudes importantes para o diagnóstico precoce. No Hospital da Baleia, a conscientização sobre a doença faz parte do cuidado integral aos pacientes, reforçando a importância da prevenção e da identificação de alterações que precisam de avaliação médica.
Segundo a Dra. Marcella de Fontgaland Silveira Mata, oncologista clínica e especialista em Clínica Médica do Hospital da Baleia, pintas, manchas ou feridas que surgem ou mudam de aparência devem receber atenção. Lesões com formato irregular, diferentes tonalidades, crescimento progressivo, alteração de tamanho ou aspecto, além de feridas que não cicatrizam, formam crostas repetidamente ou sangram sem causa evidente, são sinais que merecem investigação.
Conhecer a própria pele é uma forma de prevenção
Nem todo câncer de pele começa como uma pinta escura. Algumas lesões podem evoluir lentamente e serem confundidas com alterações sem importância. Pequenas feridas que cicatrizam e voltam, crostas persistentes, áreas avermelhadas ou lesões que crescem discretamente ao longo dos meses também precisam ser observadas. “É importante lembrar que nem todo câncer de pele começa como uma pinta escura. Os carcinomas basocelular e espinocelular, por exemplo, podem se apresentar como pequenas feridas, nódulos ou áreas avermelhadas”, explica a especialista.
Uma lesão nova ou que esteja se modificando ao longo do tempo deve ser avaliada. Mudanças no tamanho, formato, cor ou relevo, além de coceira persistente, sangramento e formação recorrente de crostas, são motivos para procurar atendimento médico. Outro sinal de atenção é a pinta que parece diferente de todas as outras presentes na pele, conhecida como “sinal do patinho feio”.
Regra ABCDE ajuda a identificar alterações suspeitas
Para auxiliar na observação das pintas, especialmente na identificação de características suspeitas de melanoma, existe a regra ABCDE:
A, de Assimetria: uma metade da lesão é diferente da outra.
B, de Bordas: apresentam irregularidades, recortes ou são mal definidas.
C, de Cor: há diferentes tonalidades na mesma lesão, como marrom, preto, vermelho, branco ou azul.
D, de Diâmetro: lesões maiores chamam atenção, tradicionalmente acima de 6 milímetros, embora melanomas também possam ser menores.
E, de Evolução: qualquer mudança no tamanho, formato, cor ou aspecto da lesão ao longo do tempo.
De acordo com a Dra. Marcella, o critério de evolução merece atenção especial. Uma lesão que está mudando deve ser avaliada mesmo que não apresente todas as características dos demais itens da regra.
Diagnóstico precoce faz diferença no tratamento
A identificação da doença em seus estágios iniciais pode favorecer tratamentos mais simples e aumentar as chances de bons resultados. Nos carcinomas basocelular e espinocelular, o diagnóstico precoce geralmente permite um tratamento cirúrgico com menor impacto estético e funcional.
Quando o diagnóstico acontece tardiamente, o tumor pode crescer e invadir estruturas próximas, exigindo procedimentos mais extensos e podendo provocar deformidades ou perda de função. Em alguns casos, a doença pode até se tornar irressecável.
Nos casos de melanoma e carcinoma de células de Merkel, considerados tumores mais agressivos, o diagnóstico precoce tem impacto ainda maior. Quando identificados em estágios iniciais, as chances de cura são significativamente maiores e, dependendo do estágio e das características do tumor, a cirurgia pode ser suficiente, sem necessidade de tratamento sistêmico adjuvante.
Fotoproteção deve fazer parte da rotina
A principal medida de prevenção é reduzir a exposição excessiva à radiação ultravioleta. O uso diário do protetor solar é importante, mas não deve ficar restrito aos dias de praia ou piscina. A proteção deve ser combinada com outras medidas, como evitar a exposição solar intensa, principalmente nos horários de maior incidência de radiação, procurar sombra e utilizar chapéus, óculos de sol e roupas com proteção UV em períodos prolongados de exposição. “O protetor solar é muito importante, mas deve fazer parte de um conjunto de medidas de fotoproteção. Nenhum protetor bloqueia 100% da radiação ultravioleta”, alerta a oncologista do Hospital da Baleia.
As câmaras de bronzeamento artificial que utilizam radiação ultravioleta para fins estéticos são proibidas no Brasil desde 2009. A exposição à radiação UV desses equipamentos aumenta o risco de câncer de pele, além de contribuir para o envelhecimento precoce e outros danos à pele e aos olhos.
Acompanhamento médico deve considerar os fatores de risco
Algumas pessoas apresentam maior risco para o desenvolvimento do câncer de pele e podem se beneficiar de acompanhamento dermatológico regular, mesmo sem sintomas. Entre os fatores estão pele e olhos claros, presença de muitas pintas, histórico de queimaduras solares, exposição solar frequente e histórico pessoal ou familiar de câncer de pele.
A periodicidade das consultas deve ser individualizada conforme o risco de cada pessoa e pode incluir exames como dermatoscopia e mapeamento corporal. Embora alguns tipos de câncer de pele sejam mais frequentes com o avanço da idade e o acúmulo da exposição solar ao longo da vida, pessoas jovens também podem desenvolver a doença. O melanoma, por exemplo, pode ocorrer em adultos jovens.
Por isso, a orientação do Hospital da Baleia é que qualquer alteração nova ou mudança em uma lesão já existente seja observada com atenção. Conhecer a própria pele, adotar hábitos de fotoproteção e procurar avaliação médica diante de sinais suspeitos são atitudes que podem contribuir para o diagnóstico precoce e para melhores resultados no tratamento.


