Projeto desenvolvido por alunos do 9º ano da Escola Estadual Carvalho Brito promove empatia, protagonismo juvenil e aproximação com estudantes da EJA Externa

Na última quarta-feira, dia 5, os estudantes do Projeto Educação de Jovens e Adultos (EJA) Externa da Escola Municipal Professor Lourenço de Oliveira (EMPLO), desenvolvido no Hospital da Baleia, receberam cartas de apoio e acolhimento produzidas por alunos do 9º ano em tempo integral da Escola Estadual Carvalho Brito, de Sabará. A iniciativa faz parte do projeto “Cartas que acolhem”, desenvolvido na disciplina Protagonismo Juvenil.
A ação aproximou estudantes de diferentes realidades por meio da escrita, da escuta e da solidariedade. As cartas foram preparadas pelos adolescentes com mensagens de carinho, incentivo e esperança para pacientes que realizam tratamento de hemodiálise do hospital.
Educação que ultrapassa a sala de aula
Antes da produção das cartas, os estudantes participaram de atividades e assistiram a conteúdos inspiradores, como materiais sobre a trajetória de Malala Yousafzai, a atuação de Rene Silva, voz das comunidades, e o filme “Depois do Universo”. A partir dessas referências, foram convidados a refletir sobre coragem, superação, esperança, humanidade e protagonismo.
Para a professora de Protagonismo Juvenil da Escola Estadual Carvalho Brito, Andréia Teixeira, a experiência representa uma oportunidade de mostrar aos alunos que a educação também pode transformar vidas por meio de atitudes simples. “Enquanto profissional da educação, sempre acreditei que a educação é tudo. O coração de professora fica feliz porque eles destravaram um momento de escrita. Mais do que isso, vejo que você pode fazer a transformação na vida do seu estudante. Acho que foi isso que eu fiz”, destacou.
Um encontro marcado pela emoção
O momento da entrega das cartas foi marcado pela emoção, tanto para os estudantes quanto para os pacientes e profissionais envolvidos. Andréia também teve a oportunidade de conhecer pessoalmente uma paciente cuja história havia inspirado a proposta.

“Foi muito emocionante para ela receber aquela carta. Ela estava muito feliz, e isso me trouxe uma felicidade em dobro, porque saber que alguém que estava passando por um procedimento que não é fácil recebeu algo inesperado, como aquela cartinha, foi muito especial”, contou a professora.
Para os pacientes que também estudam por meio da EJA durante o tratamento, a iniciativa ganhou um significado ainda maior. Além de enfrentarem os desafios relacionados à saúde, eles continuam exercendo o direito à educação e mantendo vivos seus projetos de vida.
Protagonismo que gera impacto
O projeto foi pensado para desenvolver nos adolescentes a empatia, a responsabilidade social e a capacidade de utilizar a comunicação como instrumento de acolhimento. A proposta também busca incentivar a expressão escrita e emocional, valorizar a educação como ferramenta de transformação e fortalecer sentimentos como respeito, cuidado e solidariedade.
O estudante Nicolas Eduardo, de 13 anos, participou da ação e destacou a importância de levar uma mensagem positiva para alguém que ele ainda não conhecia. “Eu escrevi coisas boas para ela, esperando que ela saia dali melhor do que já esteja”, contou.
Para ele, o sentimento de cuidado demonstrado nas cartas também está presente em sua relação com familiares e amigos. “Todo mundo é ser humano, tem a vida boa, todo mundo tem que ficar bem”, afirmou.
Uma carta, muitas possibilidades
A iniciativa mostra que pequenos gestos podem produzir grandes significados. Para quem escreve, a experiência representa uma oportunidade de desenvolver a escrita, a sensibilidade e o protagonismo. Para quem recebe, uma carta pode significar companhia, esperança e incentivo em um momento de desafios.
Ao aproximar os estudantes da realidade dos pacientes em tratamento e dos alunos da EJA, o projeto “Cartas que acolhem” transforma a educação em uma experiência de troca. As palavras escritas pelos adolescentes ultrapassaram o papel e chegaram a quem precisava de uma mensagem de carinho, reforçando que aprender também é compreender o outro, exercer a empatia e contribuir para transformar o dia de alguém.

Redação: Jamile Versiani
Fotografia: Marlon Marques


