
Hospital da Baleia está entre as instituições afetadas pela insuficiência dos recursos repassados pela PBH.
A Fundação Benjamin Guimarães (FBG), instituidora do Hospital da Baleia, em conjunto com os outros hospitais filantrópicos 100% SUS de Belo Horizonte filiados à Federação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos de Minas Gerais (Federassantas), se posicionaram novamente com relação aos atrasos de pagamentos pela municipalidade. O cenário de colapso assistencial já começou em Belo Horizonte, com falta de previsibilidade financeira, interrupção do fornecimento de insumos, endividamento emergencial dos hospitais e limitação de novas internações para garantir a segurança dos pacientes.
Os hospitais já ultrapassaram seu limite operacional. Há dificuldades para cumprir a folha salarial, fornecedores e prestadores de serviços também estão financeiramente comprometidos, o que afeta o abastecimento dos estoques de medicamentos e insumos essenciais. Essas limitações impõem a redução da capacidade de atendimento ao SUS de alguns dos hospitais, o que não decorre de decisão deliberada, mas da obrigação técnica e ética de garantir atendimento seguro aos pacientes já internados.
Para manter minimamente os compromissos previstos, a FBG fez o uso de conta garantida, uma operação de crédito junto a bancos, pagando juros de mercado. Somente dessa forma a instituição está conseguindo remunerar em dia os médicos do Hospital e demais colaboradores, com vistas a não prejudicar a assistência. No entanto, foi necessário renegociar prazos e prorrogar o pagamento de diversos fornecedores.
Atualmente, estão em atraso os montantes de R$ 4.2 (quatro milhões e duzentos mil reais), referentes a 2025; R$ 4.7 (quatro milhões e setecentos mil reais) referente a janeiro 2026; R$ 2,5 (dois milhões e quinhentos mil reais) de emendas parlamentares de 2025; e mais R$ 4,6 (quatro milhões e seiscentos mil reais) previstos até esta sexta-feira, dia 30 de janeiro. Esses valores somam mais de R$16 milhões em débitos.
Levando em consideração que a média de pagamentos da Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte à FBG é de R$12 milhões por mês, o valor em atraso indica que o débito atual é maior do que o aporte mensal da municipalidade ao Hospital.

O diretor executivo da Fundação Benjamin Guimarães, Fábio Patrus, avalia como urgente a situação. “A Fundação Benjamin Guimarães/Hospital da Baleia é 100% SUS desde 2024, portanto depende do pagamento pelos procedimentos realizados para cumprir com seus compromissos. Apesar do diálogo constante e do esforço da Secretaria Municipal de Saúde em viabilizar recursos mínimos, visando não prejudicar o acesso e a assistência aos hospitais, já superamos os R$15 milhões em débito, o que torna a situação gravíssima”, comentou Patrus.
O Baleia e os demais entes que compõem a Federassantas reforçam que o cronograma apresentado pela Prefeitura de Belo Horizonte não é uma mera promessa e não pode estar em descompasso com a realidade. Para ser efetivo, ele deve conter datas compatíveis com a urgência do cenário e valores suficientes para garantir folha de pagamento, a aquisição de insumos e manutenção da assistência. Cronogramas genéricos ou com prazos distantes não resolvem a situação, apenas agravam o processo de colapso já instalado.


