Iniciativa já soma 250 procedimentos desde fevereiro de 2025

No dia 24 de outubro, o Hospital da Baleia realizou mais um mutirão de cirurgias de endometriose infiltrativa, reafirmando seu compromisso com a ampliação do acesso ao tratamento especializado e com a saúde da mulher. Nesta edição, 16 pacientes foram contempladas com os procedimentos, elevando para 250 o número de cirurgias realizadas desde o início do projeto, em fevereiro de 2025.
Atuação multidisciplinar
Coordenado pelos médicos Dr. Maurício Bechara Noviello e Dr. Juliano Figueiredo, o mutirão reúne cerca de 18 especialistas em ginecologia e coloproctologia. Os procedimentos são realizados por laparoscopia, técnica minimamente invasiva que permite maior precisão cirúrgica e, em geral, proporciona uma recuperação mais rápida. A atuação integrada das equipes é fundamental para o tratamento dos casos de endometriose infiltrativa, especialmente quando a doença atinge órgãos como o intestino.
O médico especialista em Proctologia, Dr. Juliano Figueiredo, destaca os resultados alcançados pelo projeto e a importância da colaboração entre as equipes. “Nós já passamos de 250 mulheres atendidas. É uma satisfação muito grande trabalhar com a equipe de ginecologia do Hospital da Baleia. Também tivemos a oportunidade de registrar nossas taxas de complicações, que foram bastante baixas, inferiores a 2%, incluindo as que necessitaram de reoperação”, afirma.
O especialista ressalta ainda que o mutirão representa uma oportunidade para mulheres que não obtiveram resultados satisfatórios com o tratamento clínico. “A união da coloproctologia, da ginecologia e da superintendência do hospital está ajudando essas mulheres que, por tanto tempo, foram esquecidas pelo Sistema Único de Saúde. Agora, temos a oportunidade de resgatá-las por meio do tratamento”, completa.
Esperança de recuperar a qualidade de vida
Entre as pacientes atendidas nesta edição está Meirilene Gonçalves de Freitas, que descobriu a endometriose em 2021, após sentir dores intensas ao ir ao banheiro. Na ocasião, foi identificado que a doença já havia infiltrado o intestino. Desde então, ela convive com dores nas costas e outros sintomas que afetam seu bem-estar. A decisão pela cirurgia também foi motivada pela preocupação com a possibilidade de agravamento da doença no futuro. “Eu espero que melhore tudo, que eu não sinta mais essas dores. Quero melhorar”, relata, que deposita no procedimento a expectativa de recuperar sua qualidade de vida e reduzir os sintomas que a acompanham há anos.
Outra paciente do mutirão, Mirian Cardoso, 43 anos, também busca na cirurgia a possibilidade de viver sem as dores provocadas pela endometriose. Ela conta que descobriu a doença há 12 anos, quando passou por uma cirurgia, mas continuou apresentando sintomas que prejudicaram sua rotina. Para ela, o impacto da doença é antigo e está relacionado à perda da qualidade de vida desde a primeira menstruação. “A minha expectativa com essa cirurgia, de retirada do útero e dos focos de endometriose, é que a minha vida melhore. É o sonho que eu tenho de ter qualidade de vida, que eu nem me lembro quando tive”, afirma.
Com a continuidade dos mutirões, o Hospital da Baleia fortalece sua atuação no atendimento especializado às mulheres com endometriose infiltrativa. A iniciativa combina conhecimento técnico, trabalho multidisciplinar e acesso ao tratamento pelo Sistema Único de Saúde, oferecendo novas perspectivas para pacientes que convivem com dores crônicas e limitações provocadas pela doença.
Fotografia: Alice Penido





